
Numa prova inequívoca de negligência, para dizer o mínimo, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem feito trapalhadas inaceitáveis. Já tem muita gente afirmando que deu a louca na comissão, afinal como se explica a inclusão na pauta de julgamento de anistiados ou beneficiários já falecidos, cujos benefícios previdenciários foram extintos por falta de outros dependentes.
Na pauta do dia 21 de outubro, por exemplo, foram incluídos os nomes dos saudosos companheiros Valfredo Vilas Boas dos Santos e Walter Aguilar Sá, ambos falecidos em 2000, Ordon da Silva Pinho, falecido em 1999, Vilobaldo Herculano Ramos, falecido em 1984, além do ex-presidente da Petrobrás, Francisco Mangabeira, também falecido há cerca de seis anos.
Além de pautar falecidos sem dependentes beneficiários, a comissão tem agendado requerentes que já foram anistiados por ela própria em 2008. Enquanto revela incompetência com essas trapalhadas, passa total recibo de desorganização quando deixa de publicar portarias relativas aos processos julgados há um ano ou mais.
Parece que a grande preocupação do presidente da comissão é puramente estatística. Quanto maior o número de relacionados e julgados, ainda que ao arrepio da lei, mais “vitrine” ao titular. Os resultados numéricos e não sociais, ao que tudo indica, são do interesse daquele que vem presidindo a Comissão de Anistia desde 2006.
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