Eleição presidencial pode mudar o País
Ney Sá
O povo brasileiro avançou muito com a eleição de um operário e líder sindical para presidir o Brasil. Agora, uma mulher como candidata na disputa eleitoral de 2010 vai ser outro paradigma a ser quebrado.
As mudanças políticas, econômicas e sociais realizadas ao longo dos últimos oito anos no Brasil são inegáveis. Mesmo aqueles que inicialmente criticaram ou fizeram pouco caso da eleição de Lula reviram suas posições e hoje existe praticamente uma unanimidade quanto ao desempenho que o País apresenta a partir das eleições que colocaram um trabalhador na Presidência da República.
No campo da política brasileira, além de um predomínio histórico das oligarquias, das classes dominantes, e de preconceitos arraigados, eleger um retirante nordestino, sindicalista e líder operário presidente da República foi um grande feito. Agora o País tem nas mãos a oportunidade de conquistar outro fato inédito para os brasileiros que é eleger a primeira mulher presidente do Brasil.
É evidente que não podemos cair no discurso simplista do maniqueísmo, da disputa entre o mal e o bem. Em todos os segmentos partidários da política nacional existem erros e acertos. Episódios como o mensalão do PT, por exemplo, ainda estão vivos na memória dos que acompanham de perto a conjuntura política. Mas igualmente não é segredo que é do governo FHC a responsabilidade pela onda nefasta de privatizações que imprimiu o maior retrocesso social vivido por este País no passado recente.
Polarização inevitável
Apesar do discurso corrente de evitar uma eleição plebiscitária, onde apenas dois candidatos polarizam – Dilma e José Serra -, o fato é que na prática são os dois que representam o maior antagonismo entre as forças políticas que disputam a eleição.
O candidato do PSDB, José Serra, agora ainda mais nitidamente representa as forças retrógradas desse País. A escolha do seu vice, o deputado Índio da Costa, do partido Democratas (o famigerado Dem), consolida a opção desse segmento por representar os interesses das classes dominantes, do capital, do neoliberalismo, dos especuladores e de toda sorte de oportunistas de plantão.
A eleição de Serra certamente trará de volta o projeto privativista que ameaçou de desmonte a Petrobrás, o Banco do Brasil, Caixa Econômica e tantos outros patrimônios do povo brasileiro. Por outro lado, a eleição de Dilma pode consolidar as conquistas sociais, políticas e econômicas para o Brasil que o governo Lula representa. É também a primeira vez que uma mulher se candidata à Presidência da República com chances reais de vitória.
Novo paradigma
Desafio semelhante ao da eleição de Lula se apresenta agora com a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff à sucessão do presidente. O lançamento de uma mulher candidata à Presidência da República terá repercussão na história política do País. Essa iniciativa quebra a tradição de presença dos homens no comando da política.
Dilma tem um passado de militância política contra a ditadura que certamente pode ser avaliado com erros e acertos. Mas chegou ao posto na Casa Civil pelo desempenho que teve no governo Lula, pela capacidade administrativa e pelo ritmo que imprimiu na gestão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na opinião do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (SP), a candidatura da ministra Dilma Rousseff deve ser motivo de orgulho. "A ministra Dilma está preparada não só a representar as mulheres, mas também o legado do governo do presidente Lula. Ela é a pessoa que mais se capacitou para isso. Foi a pessoa que esteve nos momentos decisivos do governo e por isso está apta a dar continuidade ao projeto nacional".
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